COMME ROSE ROUGE

Sempre quis partilhar com vocês o amor, carinho e a enorme admiração que sinto por esta Mulher. Por praticamente tudo, tudo o que ela escrev...

Sempre quis partilhar com vocês o amor, carinho e a enorme admiração que sinto por esta Mulher. Por praticamente tudo, tudo o que ela escreveu, descreveu e deixou, como Ela própria refere, graças a Deus, por existir ainda um mundo cheio de almas-astros onde nós mesmo nos gostamos de reflectir. Eu digo, se ela fosse Espelho, seria sem dúvida o Meu. Não sou poeta e talvez nunca o venha a ser, mas contemplo imenso esse mundo, e em especial o Dela.
Deixo-vos então um texto, não é que seja o melhor, mas um que me reflecte.


Gosto das Belas coisas claras e simples
Para quê alcançar os astros?! Para quê?! Para os desfolhar, por exemplo, como grandes flores de luz! Vê-los, vê-os toda a gente. De que serve ser poeta se se é igual a outra gente, ao rebanho?... Eu não peço à Vida nada que ela não me tivesse prometido, e detesto-a e desdenho-a porque não soube cumprir nem uma das suas promessas em que, ingenuamente, acreditei, porque me mentiu, porque me traiu sempre. Mas não choro, não, como os portugueses chorões, não tenho nada de Jeremias, pareço-me antes com Job, revoltado, gritando impregnações no seu monte de estrume. Não gosto de lágrimas, de fados nem de guitarras, gosto de belas coisas claras e simples, das grandes ternuras perfeitas, das doces compreensões silenciosas, gosto de tudo, enfim, onde encontro um pouco de Beleza e de Verdade, de tudo menos do bípede humano, em geral, é claro, porque há ainda um mundo, graças a Deus, almas-astros onde eu gosto de me reflectir, almas de sinceridade e de pureza sobre as quais adoro debruçar a minha.


Florbela Espanca, Correspondência (1930)


Espero que gostem! 

xoxo, 
© Vanessa Pereirinha. 
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